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18/03/2017

A solidariedade que brota da tragédia

É nos momentos de maior dificuldade que as pessoas retomam a natureza de empatia e cuidado com o próximo, revelando que ainda se pode ter esperança no convívio em sociedade. A última semana comprovou isso, através da solidariedade de moradores dos mais diversos lugares do Rio Grande do Sul com a comunidade de São Francisco de Paula, que teve dois bairros duramente atingidos por um provável tornado no início da manhã de domingo, 12. A união em prol dos atingidos envolveu também funcionários de diversas empresas, entre elas o Grupo CEEE. No início do expediente da segunda-feira, 13, uma rede de colegas já estava mobilizada para juntar doações e organizar entregas para as famílias afetadas. Nesse sábado, 18, mais uma se somou às outras três realizadas ao longo da semana e que levaram ao Ginásio Municipal de Esportes de São Francisco de Paula pelo menos 1.630 itens de alimentos não-perecíveis e material de higiene e limpeza.

A iniciativa foi uma forma de colaborar na medida do possível para minimizar o que houve de prejuízos materiais aos moradores dos dois bairros que foram praticamente devastados pelo fenômeno da natureza. No local que virou QG das doações, pelo menos 300 voluntários trabalham na triagem e separação do material, que está sendo levado às famílias conforme a necessidade apontada no cadastramento efetuado logo após a tragédia. Conforme o secretário municipal de Cultura, Turismo e Esporte, Rafael Castello Costa, esse cadastro permite maior assertividade na distribuição das doações e leva em conta o estrago sofrido na residência, a quantidade de pessoas e os relatos do que elas perderam.

O momento dramático vivido pelos moradores mostra ainda a solidariedade entre os atingidos, uma vez que alguns abrem mão da ajuda para permitir que aqueles que estão mais desamparados sejam atendidos. “Eu e a minha família estamos bem e podemos contar com os meus pais, que moram em outro ponto da cidade. É melhor deixar que os donativos sejam entregues para quem realmente precisa”, avisou o colega Mateus Benetti Pacheco, que durante a semana trabalha no departamento de Projetos e Obras da Gerência Regional Litoral Norte, mas tem residência fixa e mora em São Francisco.

 

A tormenta e os estragos

“Comecei a ouvir uns barulhos e comentei com a minha namorada ‘vamos nos esconder logo porque está vindo um tornado’. Só que ela resolveu subir até o mezanino da nossa casa para olhar e viu o vento vindo na nossa direção arrastando tudo: foi o tempo de se jogar pela escada para baixo da mesa e o mezanino ser levado pelo vendaval”, relatou. Segundo ele, foi tudo muito rápido, não durou um minuto, “mas foi o suficiente para fazer esse estrago”, apontou, mostrando a casa de um amigo, que ele ajudava a limpar, na quarta-feira, 15. Mateus Pacheco revelou ainda que, quando cansa de organizar suas próprias coisas, sai pela rua, procurando ajudar outras pessoas que passam pela mesma situação.

O temporal, que está sendo tratado como provável tornado, causou estragos em pelos menos 400 casas de dois bairros, deixando 1,6 mil moradores desabrigados. Uma pessoa morreu e as dez que haviam ficado desaparecidas foram encontradas, aquelas que estavam feridas receberam tratamento no hospital da cidade e duas estavam internadas no hospital da cidade na metade da semana. Segundo o vice-prefeito do município, Thiago Teixeira, logo após a tragédia uma operação de emergência foi montada para garantir pelo menos o fornecimento de lona, já que a chuva não deu trégua durante todo o domingo. “Recebemos apoio de muitas pessoas e entidades que pegaram junto e foram incansáveis. No domingo mesmo já tínhamos água, alimento e roupas para garantirmos os primeiros auxílios. Hoje, a maior necessidade é de material de construção para solucionar o problema mais rápido que é o daquelas famílias cujas casas não tiveram as estruturas abaladas”, analisou.

Fonte: Andreia Fantinel (texto e foto)

Grupo CEEE

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